Publicado por: i426 | Outubro 15, 2007

A homofobia do futuro

Em todo o debate, naturalmente, existem dois lados. E, obviamente, os dois lados precisam ser ouvidos. Por exemplo, o economista Bjorn Lomborg, em entrevista à revista Época, explicou porque é contrário às políticas do Protocolo de Kyoto para deter o aquecimento global. Eu não conhecia, até então, seu ponto de vista e nem concordei com em tudo, mas fiquei muito surpreso com alguns de seus argumentos, porque me parecem bastante relevantes que precisam ser discutidos. Lomborg e seus aliados, mesmo que não contanto com espaço na mídia equivalente ao da turma de Al Gore, é um contra-ponto importante.

A história se repete na discussão sobre o Projeto de Lei 122/2006, onde há flagrante desequilíbrio na discussão – se é que existe uma real discussão.

O P L em questão está sendo propagado como o projeto do combate à homofobia. Mas, o que pouco se fala, é que ele também é conhecido por muitos políticos, juristas, filósofos e religiosos como a “Lei da Mordaça”.

Desde já, me declaro totalmente parte deste grupo, porque o PL fere à Constituição e a princípios da democracia, ao conferir o “super-direito” a um grupo específico de brasileiros, no caso os homossexuais, de se estar acima da crítica.

Aprovada a PL, os gays seriam os únicos seres humanos neste país com direito de colocar na cadeia qualquer pessoa que se manifeste contrário sua opção de conduta (no caso, a sexual) – ainda que da forma mais respeitosa possível – não importando por quais motivos, sejam eles religiosos, filosóficos ou, ate mesmo, científicos.

Em um estado de direito democrático, responde-se críticas com contra-razões. E uma ditadura, responde-se com punição.

O documento é preocupante para a sociedade como um todo porque fere a democracia. E é preocupante para os próprios homossexuais porque, além de não resolver o problema da homofobia, corre-se o risco de assistirmos ao surgimento de um grupo de novos homofóbicos, fomentado por um tipo nascente de intolerância e formado por aqueles que se sentirem lesados em sua liberdade de opinião.

Os verdadeiros homofóbicos, ou seja, aqueles que agridem e até matam pessoas por causa de sua opção sexual, continuarão existindo, não tenham dúvidas! Até porque o que alimenta a violência sabidamente não são as leis, mas a impunidade. Ora, agressão e violências já são crimes e continuarão sendo. Mas pessoas que cometem tais crimes dificilmente o fazem por razões lógicas. É preconceito puro e irracional. Portanto, não são estas as vítimas da PL. A novidade que ela traz, é transformar em criminosos pessoa que tem apenas opiniões contrárias à pratica homosexual, ainda que totalmente contrárias à intolerância contra homossexuais.

Desta forma surgirão os “novos homofóbicos”. Ou seja, do universo de todos aqueles ousarem defender um ponto-de-vista diferente do da “ortodoxia gay” e serão, por isso, punidos.

Já se fala em “ditadura gayzista”, e com certa razão. A prova disso é que, hoje, basta que alguém questione o PL em epígrafe para rotulá-lo como “homofóbico”. Não seria essa uma nova forma de preconceito? E não seria este preconceito um adubo para os novos homofóbicos?

 

Parecer do Dr. Paulo Fernando Melo da Costa, que participou da audiência sobre o PLC 122/2006, projeto de lei que dá aos homossexuais superdireitos e proíbe toda e qualquer manifestação contra o homossexualismo, inclusive citações da Bíblia:

http://roberto-cavalcanti.blogspot.com/2007/07/parecer-jurdico-do-plc-1222006-lei-anti.html

 Indico ainda este artigo (muito bom!):

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5668


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